Alma
pra quê?
Qual é a primeira coisa
que você pensa quando ouve a palavra “alma”? Para muitos, as palavras tem
poder. Um peso individual, e cada uma o expressa de maneira diferente. A alma
(ou espírito) pode ter diversos significados, mas a grande parte destes é
originada de crenças e dogmas ao redor do mundo. Mas, se a alma realmente
existe, qual a sua utilidade?
A “alma” citada aqui não
terá ligação com nenhuma religião específica, uma vez que será utilizada
somente a definição de que a alma é algo etéreo, que componha o ser, algo não
material e, principalmente, o imortal ou transcendental. É claro, partindo do
pressuposto que ela existe. Afinal, a finalidade deste texto, antes de tudo, é
propor um debate amigável com a apresentação de fatos e questionamentos.
Aqueles que se sentirem no direito de confrontar as ideias aqui mostradas,
sintam-se livres!
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A
alma é vida?
Em várias culturas e em diversas sociedades, as pessoas atribuem a alma como sendo a razão de nós, seres humanos, estarmos vivos. É claro, isso também pode se aplicar a outros animais ao nosso redor, por menores que sejam. Porém, o que nós somos? Uma alma única?
Graças aos avanços
científicos do ultimo século, temos a plena consciência de que em nosso corpo
existem bilhões
e bilhões de bactérias, glóbulos, mitocôndrias, etc. Cada um desses
pequenos seres se movimenta, age e se comporta de maneiras distintas e
separadas. E, basicamente, elas estão vivas. Portanto, sabendo disso, pode-se
dizer que cada uma delas tem uma alma?
Você se considera um ser
com uma alma ou um conjunto de trilhões de outras almas? Pois, sem elas, você
sequer existiria. As células são o organismo base de todo o nosso sistema
complexo de tecidos, ossos e órgãos. Ao falar que nós temos uma alma,
estaríamos errados; somos a consequência de muitas delas.
Se a alma for vida,
talvez então nenhum de nós tenha, de fato, uma alma. Na verdade, podemos até
considerar que temos sim uma alma; mas ela não passa de um conglomerado de
outras almas. Porém, há também outra
forma de ver a alma. Não como a vida em si, mas sim como a consciência.
A alma é consciência?
Em suma, quando um
animal desmaia, ele perde a consciência; tal como nós. E, partindo deste fato,
todos os seres que estiverem acordados e em estado potencial de alerta, prontos
para agir e com a mente funcionando normalmente, estão em estado consciente. Mas,
por se tratar de alma, a consciência adota outro significado para ela.
Para aqueles que definem
a “alma” como sendo a consciência, não se é atribuído para ela o simples fato
de estar acordado, desperto. Compreende-se a consciência como estar ciente de
seus atos, tendo assim a capacidade de julgamento, de poder consentir as
coisas, tomar decisões e agir conforme cada situação. Desta forma, apenas nós,
seres humanos, teríamos consciência. E, por consequência, uma alma. Coincidentemente,
muitas religiões se baseiam nesta definição. Porém há questões que não devem
ser ignoradas.
Várias pesquisas
buscaram a idade de quando a consciência se forma nos humanos. Segundo
Vygostky, até os seus seis anos de idade, a criança ainda está
desenvolvendo sua consciência, alcançando-a logo após este período. Então,
sendo assim, as crianças dessa faixa etária não tem alma? Ou uma “meia alma”?
Como seria, então, a relação com a consciência?
E, além disso, há outro
ponto. Caso uma pessoa fique, por exemplo, em estado de coma, a mesma perderá
a consciência. Ela estará em um estado de suspensão mental, onde o cérebro
só trabalha para manter os órgãos funcionando (e em casos mais graves, isso
sequer ocorre). Seria esse então um meio de “desligar” uma alma? Pois já que um
indivíduo nessa situação se encontra inconsciente, ele, supostamente, perderia
sua alma.
É claro, muitos discordariam.
Há pessoas que poderiam explicar isso com a afirmação de que “Quando um
indivíduo se encontra inconsciente, sua alma apenas perde a conexão com o
corpo. Ela fica em uma suspensão astral, apenas esperando seu corpo original
voltar à consciência”. Pois, se é este o caso, a alma não é nem vida e nem
consciência; já que não depende de nenhum dos dois para existir. Será que a
alma, então, poderia ter outro significado? Obviamente, existe ainda outra
interpretação para ela.
A alma é índole?
Se a alma não é a vida e
nem a consciência, ela certamente poderia ser a nossa índole, nossa individualidade.
Pois, assim como as pessoas, a alma não seria somente racional ou emocional, e
sim ambos juntos. A alma é aquilo que nos diferencia, e desde que nascemos ela
nos acompanha, moldando nossa personalidade.
Porém, assim como já foi
pesquisado,
parte de nossos traços emocionais vem de nossos progenitores, os nossos pais.
E, basicamente, nós temos maior chance de nos comportar como eles. Caso os pais
de uma criança sejam muito sociáveis, por exemplo, a mesma poderá apresentar comportamentos
idênticos. Mas, é claro, tudo depende de nossas experiências vivenciadas,
assim também como o meio onde nós somos inseridos.
Mas qual a conexão disso
com a alma? Bem, supondo que a alma é a índole, a nossa individualidade, há
alguns casos que mostram algo decerto peculiar. O caso
de Mac Fedge nos mostra exatamente isso. Após um acidente provocar a perca
de parte de seu cérebro, Mac se mostrou uma pessoa completamente diferente. Ele
passou de uma pessoa impulsiva e com iniciativa a uma pessoa passiva e com
senso de humor infantil. Isso quer dizer que este indivíduo “trocou” de alma?
Quando há um dano
cerebral capaz de mudar sua índole, você “perderia” sua alma? Se, mesmo
assim, a alma continua a existir sem ser afetada, então ela não poderia ser a índole.
Conclusões
Mas se a alma não é vida,
consciência ou índole, então, considerando sua existência como algo verossímil, qual a sua utilidade? Pois, caso nós perdêssemos estes
três fatores, o que seria feito dela? Se nós não dependemos da alma para viver,
pensar ou agir, podemos apenas questionar: Alma pra quê?



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